Não se trata de uma brincadeira de adivinhação ou uma
suposição fantástica sobre como será o futuro para as pretensões da ciência
aplicada conhecida por comunicação empresarial. Trata-se de como a comunicação
empresarial pode, por meio da vanguarda que encerra a pesquisa científica em
sua essência, ajudar a desvendar as tendências sobre o futuro e reduzir suas
incertezas. Apesar de parecer dispensável, este exercício pode manter vivos
momentos de discussão que transcendem o cotidiano dos afazeres e resultem na
tarefa de repensar constantemente a gestão das organizações.
Seja sobre o futuro da tecnologia aplicada às ferramentas de
comunicação e suas utilidades, seja sobre o futuro da vida em sociedade e seus
reflexos nas organizações, o conhecimento atual, somado às tendências
levantadas cientificamente deverão nortear o planejamento da comunicação
empresarial e da própria organização para livrar a todos do perigo e das
armadilhas da ignorância, sob pena de vivermos num clima de infinita teoria
conspiradora, onde o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o natural e o
artificial se confundem nas percepções e induzem a organização e seus atores a
erros.
Na medida em que, por meio do seu processo de gestão, a
comunicação empresarial em conjunto com as demais especialidades da organização
pode trazer à realidade evidências que objetivam intenções de ação numa
perspectiva futura, de planejamento a partir da construção de cenários, podemos
correr menos riscos de sermos conspiradores agindo contra nós mesmos, parecendo
gestores lunáticos repousados na excentricidade, no bizarro, na insanidade, no
extremo.
A construção de cenários futuros pode ter uma contribuição
decisiva da comunicação empresarial pela capacidade de abstração de seus
profissionais. As áreas de planejamento e gestão deveriam deter um pouco mais o
olhar para este aspecto e não deixar o processo de planejamento enveredar num
viés reducionista que pode não considerar outras variáveis críticas, fatores
controláveis e incontroláveis que transformam a visão sobre o futuro numa
imagem opaca.
O futuro, na comunicação empresarial, deverá considerar uma
gestão ainda mais próxima do orgânico, onde seu caráter transversal implique na
implementação de conselhos gestores para temas que a estrutura convencional da
organização não consiga dar conta da resolução de problemas no contexto atual e
futuro.
Lançar novos olhares sobre a comunicação empresarial e imprimir-lhe
maior virtualidade estrutural e flexibilidade operacional requer também um novo
pensamento acadêmico-científico sobre esse campo de estudo, formando agentes de
mudança a partir de uma reintegração entre a organização e a universidade.
Muitos esforços vêm sendo feitos nesse sentido, mas os
fatores de produtividade e lucratividade ligados à produção de bens e a oferta
de serviços ainda são dominantes nas organizações e nas universidades. Talvez
ainda estejamos enxergando apenas a parte visível de um iceberg, há muito por
ser desvendado sobre as potencialidades da comunicação empresarial no que não
está visível, pois permanece submerso num oceano tecnocrático.
Fonte: ÍCONE COMUNICAÇÃO
